COVID-19 E SITUAÇÃO DE LEITOS HOSPITALARES E DE UTI EM UBERLÂNDIA

A crise decorrente do COVID-19, que ganhou proporções de pandemia, impacta, mundialmente, os sistemas de assistência à saúde. Um dos aspectos relacionados a isso é o número de leitos, de leitos UTI e de respiradores disponíveis em cada localidade. Este artigo se dispõe a refletir sobre um desses aspectos, anunciado no título acima.

hospital
Foto ilustrativa: Marcello Casal JR/ABr

A Organização Mundial da Saúde (OMS) sustenta, com base científica, que são necessários 3 leitos hospitalares para cada 1.000 habitantes. Considerando que a população de Uberlândia é de cerca de 700.000 habitantes, precisaríamos ter no Sistema Único de Saúde (SUS), que abrange rede pública e rede privada, pelo menos 2.100 leitos hospitalares. Os dados disponíveis no TABNET do DataSUS informam que há apenas 1305 leitos em nosso município (defasagem de quase 38%, ou seja, 795 leitos). Isso se não considerarmos a atendimento de âmbito regional que aqui acontece…

Em termos de leitos de UTI, a disponibilidade em Uberlândia não chega a 200, ao passo que a recomendação pelos critérios da OMS seria de 315, o que significa uma defasagem da ordem de 36,5%, caso assumamos 200 como a base de cálculo. Teríamos que aumentar em 57,5% o número de leitos de UTI – repito: levando-se em conta apenas a população que reside na cidade, sem computar o atendimento regional.

Por isso é que o conhecimento científico e decisões políticas responsáveis devem estar na base das orientações claras à população, visando seu efetivo engajamento para a adoção de providências que minimizem a contaminação pelo COVID-19, dentre as quais se destacam a higienização e a drástica redução de circulação e aglomeração de pessoas, ou seja, o isolamento social.

As recentes declarações e medidas da Presidência da República e os alinhamentos pontuais que a elas se deram são, além de irresponsáveis, uma afronta à inteligência e um sério risco à saúde pública. Se não lhes oferecermos resistência e lucidez, contribuiremos, por omissão ou apoio, para um cenário de picos muito altos, e em pouco tempo, com relação às curvas de contaminação, casos graves e óbitos em virtude do COVID-19.

 

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