Juventude e políticas públicas

A juventude, inicialmente, é um segmento social definido em termos de identidade vinculada à faixa etária, mas vai muito além disso, pois uma série de aspectos condicionam seus horizontes, tais como diferenças socioeconômicas, condições de moradia, trabalho e de acesso à cidade e à cultura.

Se pensarmos na dimensão cultural, encontraremos na juventude um imenso complexo de possibilidades para a renovação da sociedade como um todo. Recomendo a leitura de um texto de Paulo Denisar Fraga, denominado Juventude e cultura: identidade, reconhecimento e emancipação, em que o tema é tratado com muita propriedade.

Para os(as) jovens trabalhadores(as), que são a maioria também nesse grupo social, os impasses quanto à inserção profissional muitas vezes são enfrentados com muita incerteza, principalmente em função do que é o capitalismo contemporâneo e de tantas falsas promessas quanto, por exemplo, a que “investimentos em empregabilidade” garantiriam bom empregos e salários.

A violência policial, como já disse em outro texto neste blog, é socialmente seletiva, atingindo principalmente jovens negros, pobres e moradores de periferia.

Esses são alguns exemplos que nos apontam para a absoluta necessidade de serem estabelecidas condições institucionais adequadas para a formulação e implementação de políticas públicas para a juventude.

Quais são as condições essenciais para tanto?

Se considerarmos que todas e quaisquer políticas realmente de interesse público devem envolver os que as demandam e dela terão benefício, ou sofrerão as consequências, é preciso dizer que a primeira dessas condições é a participação da própria juventude, por meio de conferências e outras formas de interação com o Estado, a começar da esfera municipal.

A segunda condição é a construção coletiva de um Plano Municipal de Juventude, em que os agentes sociais e o poder público interajam e apontem para metas, procedimentos e conteúdos que cumpram tal planejamento.

Em Uberlândia, a Superintendência da Juventude é uma iniciativa importante nessa direção, porém nem tudo o que se pretendeu pôde ser realizado, basicamente em decorrência da falta de dotação orçamentária, de um lado, e, de outro, como consequência dessa lacuna, do formato (parcerias com a iniciativa privada e entidades da sociedade civil). Somente com um passo adiante, exatamente o avanço que representa um Plano Municipal de Juventude, é que poderemos experimentar um real espaço para a formulação dessas políticas.

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